• Thatiana Passi

12 livros para desconstruir estereótipos na infância



No meu trabalho como educadora nem sempre é fácil abordar alguns assuntos com as crianças. No entanto, não é por isso que deixo de levar os temas a debate.


A presença dos livros em sala de aula não implica apenas na discussão de preconceitos de gênero e orientação sexual, mas principalmente no direito da criança ao conhecimento.

A sexualidade faz parte da vida e do corpo e crianças sabem refletir, questionar e se posicionar. É mais do que justo que elas possam discutir essas relações.


Para isso conto muito com a ajuda dos livros! Por meio da leitura a criança desenvolve a criatividade, a imaginação e adquire cultura, conhecimentos e valores. Além de contribuir para a formação do senso crítico.


Listei aqui alguns títulos que podem ajudar você, educador, pais, ou interessados, nessa empreitada.

Gênero e Equidade

1 - “As Mulheres e os Homens”


Esse é meu livro favorito. Leitura obrigatória e posso dizer que é um ótimo presente pra alguns adultos também.


De forma divertida e inteligente, procura abordar questões de gênero por um viés de igualdade e em respeito à pluralidade. É um livro instigante e de fácil compreensão, com uma paleta de cores que foge do já consagrado azul-para-meninos e rosa-para-meninas. Também traz atividades para promover uma discussão mais ampla sobre a divisão das tarefas domésticas, a desigualdade salarial e o espaço social que cada gênero ocupa — deixando a certeza de que a expectativa por um mundo mais igualitário não tem nada de ultrapassada. As ilustrações são geniais!


O livro integra a coleção “Livros para o Amanhã”, do selo Boitatá.


2 - Chega de Rosa


Este é um livro de origem francesa. No que tange as questões de gênero e ao debate sobre uma educação menos sexista, a França acaba sendo uma referência. E esse é mais um exemplo disso.


A protagonista é uma menina que não gosta de rosa, nem se identifica com as brincadeiras geralmente classificadas como sendo “de meninas”. Isso lhe assegura o rótulo de “arremedo de menino”, dado pela própria mãe. Ao longo da história, a protagonista se depara com meninos que também não se enquadram no padrão socialmente definido para eles. E percebe que isso não os torna “arremedos de menina”.


3 - A História de Júlia e Sua Sombra de Menino


A pequena Júlia não atende ao “perfil padrão” que se espera de uma menina em nossa sociedade. Diante de suas recusas a se moldar a esse padrão, a mãe e o pai dizem que ela “parece um menino”. De tanto ouvir isso, um dia Júlia acorda e vê que tem uma sombra de menino. Daí em diante, surgem os questionamentos sobre o que é “ser menina” e “ser menino” e se não é possível ser os dois ao mesmo tempo. Ilustração belíssima.


Protagonismo Feminino


Trabalhar o protagonismo de meninas com crianças pequenas é tão importante quanto falar de equidade de gênero. Eu, assim como grande parte da minha geração, cresceu estudando uma história toda contada e escrita por homens, brancos e, em sua maioria, ricos. Então, por que não mostrar desde cedo que as mulheres fizeram e fazem parte da história do mundo?


A editora argentina Chirimbote criou uma coleção "Antiprincesas" para crianças, que tem mulheres latino-americanas como protagonistas.


O primeiro livro contou a história de Frida Kahlo.


4 - Frida Kahlo


O livro é uma ótima ferramenta para debater feminismo, gênero, luta de classes, arte e história. Ao fim do livro, algumas sugestões de atividades. Entre os títulos da coleção estão Clarice Lispector, Violeta Parra e Juana Azurduy. Por enquanto, nem todos foram traduzidos para o português.


No Brasil a distribuição é feita pela Sur Livros.


5 - Malala. A Menina que queria ir para Escola


Ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, Malala é uma menina paquistanesa que lutou e segue lutando pelo direito de todas as mulheres de terem acesso aos estudos. Sua história é incrível e inspiradora. Um livro completo e delicioso.


6 - Carmem. A Grande Pequena Notável


Ela, que inventou os sapatos da Lady Gaga e um jeito bem brasileiro de cantar. Carmem Miranda por onde passou espalhou cores. A biografia da cantora foi publicação da Editora Edições de Janeiro.



Orientação Sexual


7 - A Princesa e a Costureira

Primeiro conto de fadas homoafetivo brasileiro! O livro conta a história de amor entre duas mulheres — a princesa e a costureira que faria seu vestido de casamento.


Este é o primeiro livro infantil da escritora Janaína Leslão, que também é psicóloga formada pela Unesp, Conselheira do CRP- SP [Conselho Regional de Psicologia], militante feminista e LGBTs.


Publicação da Metanoia Editora. (O livro foi viabilizado por financiamento coletivo.❤️)


8 - Meus Dois Pais

O pai e a mãe de Naldo vão se divorciar. O garoto vai morar com o pai e um amigo dele, Celso, embora todo mundo seja contra isso. Tudo vai muito bem até dizerem para Naldo que seu pai é gay.