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Não é só veneno em sua mesa

11/01/2016

O dia 11 de janeiro é considerado o dia de combate à poluição por Agrotóxicos, que hoje completa 16 anos. A data tem origem na criação do Decreto nº 98.816 (revogado pelo Decreto nº 4.074, de 2002) que determinou mais rigor no registro, classificação, controle, inspeção e fiscalização de agrotóxicos, seus componentes e afins. A realidade, no entanto, mostra que há muito a ser feito, sob a pena de colocarmos em risco nossa biota e a segurança alimentar.

 

Já não é novidade que o Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo. De acordo com o diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), José Agenor Álvares da Silva, 19% de todos os defensivos agrícolas produzidos no mundo são usados no Brasil. Ainda que essa quantidade toda não chegue diretamente na nossa mesa, os agrotóxicos contaminam o solo, o ar, as águas subterrâneas e superficiais, afetando os seres vivos e impactando toda a cadeia alimentar.

 

Uma pesquisa divulgada em 2011 pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apontou que o uso de agrotóxicos e fertilizantes já é a segunda maior causa de contaminação da água no país, atrás somente da contaminação por esgoto doméstico.

 

Em nossas mesas não é diferente. De acordo com dossiê publicado pela Abrasco em 2015, cada brasileiro "consome" em média 7,36 l de agrotóxico por ano. No último relatório divulgado pela Anvisa (2013) verificou-se que 78% das amostras de alimentos monitoradas apresentaram contaminação por agrotóxicos, sendo que em 36% foi constatada a presença de agrotóxicos não autorizados para a cultura e/ou ultrapassagem dos limites máximos de resíduos considerados aceitáveis. Apesar de alarmantes, esses resultados estão certamente subestimados se considerarmos que nem todos os agrotóxicos estão sendo analisados. O glifosato, por exemplo, ingrediente ativo do herbicida Roundup, da Monsanto, defensivo mais vendido no Brasil em 2013 não consta na lista dos ingredientes ativos analisados pela Anvisa.

 

Pesquisas recentes revelam ainda que o glifosato é possivelmente o fator mais importante no desenvolvimento de doenças que se tornaram prevalentes nas sociedades ocidentais, como o autismo, TDHA (Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade), Alzheimer e o câncer.

 

Em 1962, Rachel Carson já nos alertava “Estamos correndo todo esse risco para quê? Precisamos urgentemente acabar com essas falsas garantias, com o adoçamento das amargas verdades. A população precisa decidir se deseja continuar no caminho atual, e só poderá fazê-lo quando estiver em plena posse dos fatos. Nas palavras de Jean Rostand: a obrigação de suportar nos dá o direito de saber". (Primavera Silenciosa, 1962).

 

QUAL É O PAPEL DO CONSUMIDOR?

 

Dentro desse contexto, o consumo de alimentos orgânicos não é só uma questão de saúde, como é também uma questão ética e política. Consumir orgânicos é se preocupar com todo o modelo de produção, e não só com a presença de um selo que certifique sua origem. É se preocupar com a saúde do trabalhador do campo que está plantando e colhendo seu alimento, com a qualidade da água que infiltra no solo, abastece os rios e chega às torneiras de nossas casas, é se preocupar com a qualidade do solo e com a biodiversidade nele existente, é preservar a vida!

Feira de Orgânicos do Parque Água Branca / Foto: Edson Grandisoli

 

No sistema econômico sob o qual vivemos, bombardeados por propagandas nos persuadindo ao consumo de coisas desnecessárias e alimentos sem nutrientes, nós, consumidores, precisamos nos munir de informações para que possamos fazer escolhas conscientes.

 

Precisamos ter em mente que cada um de nós também tem responsabilidade ambiental e social pelos impactos causados pela produção e comercialização de cada produto que compramos. E isso nos dá uma possibilidade incrível de mudar uma realidade a partir das escolhas que fazemos. Na era digital, as informações circulam rapidamente e as empresas estão expostas como nunca. Cabe a nós, consumidores, repensar nossas escolhas, sair do comodismo e dar um primeiro passo.

 

Proponho então que cada um faça um esforço individual neste dia, de analisar com quais empresas você está colaborando, quais valores você está nutrindo e qual é o rastro que você está deixando hoje. A tomada de consciência é o primeiro passo para a mudança.

 

 

 

PARA SABER MAIS:

 

O veneno está na mesa II: https://www.youtube.com/watch?v=fyvoKljtvG4

 

O mundo segundo a Monsanto: https://www.youtube.com/watch?v=sWxTrKlCMnk

 

FONTES CONSULTADAS:

 

http://www.ibama.gov.br/areas-tematicas-qa/relatorios-de-comercializacao-de-agrotoxicos/pagina-3

 

http://www.ctnbio.gov.br/upd_blob/0002/2086.pdf

 

http://cartamaior.com.br/?%2FEditoria%2FMeio-Ambiente%2FMonsanto-25-doencas-que-podem-ser-causadas-pelo-agrotoxico-glifosato%2F3%2F32891

 

http://abrasco.org.br/dossieagrotoxicos/

 

ftp://geoftp.ibge.gov.br/atlas/atlas_saneamento/

 

CARSON, R. Primavera silenciosa. São Paulo: Melhoramentos, 1964

 

 

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