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Há floresta na sua vida?

  • Edson Grandisoli
  • 8 de jul.
  • 3 min de leitura

À primeira vista, pode parecer que a floresta está distante da vida de quem mora nas cidades, circula por ruas asfaltadas, trabalha em salas fechadas e passa boa parte do dia cercado por concreto, telas e veículos. Mas essa distância é apenas aparente.



Menina ajuda adulto a lavar um prato floral na pia da cozinha, com pano branco, em clima acolhedor e concentrado.


A floresta está presente de forma invisível e silenciosa em aspectos essenciais da nossa existência. Ela está na água que chega à torneira, no ar que respiramos, na regulação da temperatura, na fertilidade dos solos, nos alimentos que consumimos, nos medicamentos que utilizamos, nas paisagens que nos inspiram e até nas culturas e nos modos de vida que dão sentido à relação entre sociedade e natureza.


O que são serviços ecossistêmicos?


Essa presença da floresta se explica pelo conceito de serviços ecossistêmicos: os benefícios que os ecossistemas oferecem à vida humana.

É verdade que essa é uma visão, em certa medida, antropocêntrica e utilitarista. Ainda assim, ela nos ajuda a compreender o quanto dependemos da natureza e como somos parte dela.


Os serviços ecossistêmicos costumam ser organizados em quatro grandes grupos: provisão, regulação, culturais e suporte.


Infográfico circular de serviços ecossistêmicos, com quatro setores coloridos e ícones: suporte, abastecimento, regulador e cultural.

Serviços de provisão: o que a floresta fornece


O primeiro grupo reúne os serviços de provisão ou abastecimento, relacionados aos bens materiais fornecidos pelas florestas.


Frutos, sementes, fibras, madeira, óleos, princípios ativos medicinais e uma enorme variedade de recursos são utilizados na alimentação, na construção, na indústria, na produção de cosméticos e no desenvolvimento de medicamentos.

Mesmo quando compramos um produto em uma farmácia, mercado ou loja, muitas vezes existe uma história florestal escondida em sua origem.


Serviços de regulação: benefícios que quase não percebemos


As florestas também oferecem serviços de regulação, fundamentais e, ao mesmo tempo, pouco percebidos no cotidiano.


Elas ajudam a regular o clima ao armazenar carbono e contribuir para reduzir os efeitos das mudanças climáticas. Também influenciam o ciclo da água, favorecendo a formação de chuvas, a recarga de rios e aquíferos e a manutenção da umidade do ar. Além disso, protegem o solo contra a erosão, reduzem o risco de enchentes e deslizamentos, filtram impurezas e ajudam a manter a qualidade da água.


Quando uma cidade enfrenta calor extremo, escassez de água ou enchentes frequentes, muitas vezes está sentindo também os efeitos da perda ou da degradação das florestas, seja nas proximidades, seja em regiões distantes.


Serviços culturais: muito além dos recursos naturais


Há ainda os serviços culturais, que revelam a floresta como fonte de identidade, memória, espiritualidade, lazer, contemplação, conhecimento e beleza.


As florestas inspiram músicas, histórias, pesquisas, práticas educativas, tradições populares e diferentes formas de convivência.


Para muitos povos indígenas, comunidades tradicionais e populações ribeirinhas, a floresta não é apenas um recurso: é território, casa, ancestralidade e modo de vida.


Mesmo para quem a visita apenas ocasionalmente, ela pode representar descanso, encantamento, aprendizagem e reconexão com algo fundamental que a vida urbana frequentemente enfraquece.


Serviços de suporte: a base invisível da vida


Por trás de todos esses benefícios estão os serviços de suporte, responsáveis pelas condições básicas que tornam a vida possível.


É deles que dependem a formação dos solos, a ciclagem de nutrientes, a fotossíntese, a manutenção da biodiversidade e os habitats de inúmeras espécies que sustentam os demais serviços ecossistêmicos.


Abelhas, aves, fungos, microrganismos, árvores, rios e solos formam uma complexa rede de relações que possibilita a produção de alimentos, a purificação da água e a estabilidade dos ambientes naturais.


Quando essa rede é rompida, os impactos não ficam restritos à floresta. Eles chegam à agricultura, à saúde, à economia e ao nosso cotidiano.


Afinal, onde está a floresta na sua vida?

Responder a essa pergunta é reconhecer que dependemos das florestas mesmo quando não as enxergamos.


A floresta está no café da manhã, na chuva, na sombra que ameniza o calor, no equilíbrio do clima, nos alimentos, na polinização, nos medicamentos, nas paisagens que educam o olhar e na diversidade de vidas que sustenta a nossa.


Cuidar das florestas é proteger as bases invisíveis que tornam possível a própria vida.

Edson Grandisoli, diretor educacional na reconectta, sorridente de camisa azul-clara em retrato, diante de folhagem escura, em moldura oval roxa.







Dr. Edson Grandisoli

Diretor educacional da Reconectta e Escolas pelo Clima

 
 
 

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